Ray Tavares e seu último lançamento "O Roteiro do Amor" | Portal Literalle
Ray Tavares e seu último lançamento "O Roteiro do Amor" (reprodução/Instagram/@rayctjay)

Ray Tavares e as histórias que atravessam páginas, roteiros e sentimentos universais

Começar escrevendo fanfics, vencer o Wattys com mais de 4 milhões de leituras no Wattpad e, depois, assinar grandes roteiros e livros com edições esgotadas. Para Ray Tavares, a escrita nunca foi apenas sobre narrativas, ela também é sobre conexão. Entre fãs de signos, adolescentes intensos e personagens apaixonados, Ray construiu uma carreira que mistura humor, identidade e emoção com autenticidade rara.

Autora de “Os 12 Signos de Valentina” (2017), “Heroínas” (2018), “Confidências de Uma Ex-Popular” (2019), “As Vantagens de Ser Você” (2022) e O Roteiro do Amor” (2025), a escritora também migrou para o audiovisual com projetos como “Robin” (vencedor de pitching no FRAPA) e “Judas” (audiodrama). Em entrevista ao Portal Literalle, ela falou sobre escrita, identidade criativa e a vontade de inspirar as pessoas a enxergarem essa carreira como possível e profissional.

Do Wattpad ao mercado editorial: O impacto das fanfics

Ray começou escrevendo fanfics sobre McFly no Wattpad e foi lá que aprendeu uma das lições mais valiosas: ouvir quem lê.

“Escrever na internet me ajudou a lidar com críticas e elogios. O feedback vinha muito rápido, eu escrevia um capítulo e já recebia comentários. Isso me preparou para o que veio depois na carreira profissional”,

“Acho que também influenciou minha escrita, capítulos mais curtos, com ganchos fortes no final. Era o que prendia os leitores e fazia eles voltarem na semana seguinte. Isso veio do universo das fanfics.” comentou a autora.

Astrologia, ASKfm e a origem de Valentina

O sucesso de “Os 12 Signos de Valentina” surgiu de um gosto antigo.

“Minha mãe adorava astrologia, sempre mandava previsões da semana, do mês… Era algo que unia muito a gente. E minhas leitoras sabiam disso”, relembra.

“No ASKfm, elas me mandavam perguntas sobre signos, eu lia mapa astral de brincadeira (não sou astróloga!), e aquilo foi virando uma ideia. Tinha acabado de escrever A Bola na Rede (que virou “Confidências de Uma Ex-Popular“) e queria pensar em uma nova história. Juntei esse interesse por signos com a vontade de continuar escrevendo.”

Livros e séries: como transformar pensamentos em ação

Tavares também é roteirista, e fala com clareza sobre o maior desafio ao adaptar um livro para o audiovisual:

“Na literatura, a gente mergulha na cabeça do personagem, tem o narrador em primeira ou terceira pessoa… No audiovisual, você não pode simplesmente transformar isso em voice over ou monólogo o tempo inteiro, fica chato.”

“A grande dificuldade é transformar medo, angústia e pensamento em ação concreta. Às vezes o público reclama das mudanças nas adaptações, mas elas são necessárias para funcionar em outra mídia.” ela explica.

Escrevendo para adolescentes sem parecer um “tio maneiro”

Autenticidade é essencial quando se escreve para jovens, e Ray acredita que a chave está em respeitar os sentimentos dessa fase.

“Eu lembro como era ser adolescente. Tudo parecia o fim do mundo. Tudo é questão de vida ou morte nessa fase. E é isso que eu tento validar. Esses sentimentos são legítimos, estão moldando quem aquela pessoa vai ser. Não dá pra tratar como um drama bobo.”

“Claro que eu não tento escrever como um jovem de hoje. Eu tenho 32 anos. Ia soar como um tio tentando ser descolado. Então eu me conecto pelas emoções universais: amor, medo, tristeza, ansiedade… Coisas que todo mundo sente, em qualquer idade.”

O amor depois dos 30 é diferente e também dá uma boa história

Se “Os 12 Signos de Valentina” fala sobre um amor leve e otimista, “O Roteiro do Amor” traz um olhar mais maduro:

“Aos 20, encontrar o amor parece ser o mais importante. Aos 30 e poucos, o amor continua importante, mas tem outras coisas pesando também: carreira, amizades, família, a vida que já vivemos.”

“Quis trazer esse encantamento da comédia romântica, mas com mais bagagem. Gente que já viveu, que tem história. E ver como essas pessoas lidam com toda essa bagagem à tona.”

Valentina: Das páginas à tela

Com os direitos de adaptação vendidos, ela fala com sinceridade sobre a adaptação de “Os 12 Signos de Valentina” para o audiovisual.

“Escrevi com 20 anos. Hoje, eu mudaria muita coisa. E eu sei exatamente o que mudaria. Talvez os leitores ficassem frustrados, mas é uma chance de reescrever coisas que não posso mais mudar no livro.”

“Quanto ao elenco? Nada fechado. Eu adoro testes. Às vezes aparece alguém que você nunca imaginaria, e de repente você pensa: ‘É a Valentina!’”

Autora e roteirista: Dois chapéus, dois mundos

Ray Tavares separa com clareza os momentos em que é autora e os momentos em que é roteirista e isso ajuda no equilíbrio.

“Na literatura, sou só eu e Deus. No roteiro, é um processo muito colaborativo. Tem produtora, canal, ator, diretor… Eu não tenho o mesmo controle.”

“Mas também tenho o bônus de ver algo meu ganhando vida na tela, o que é incrível. Então, quando eu me canso de um, vou para o outro. Uma paixão completa a outra.”

Diversidade e acesso: Mostrar que é possível

A autora reconhece que o mercado ainda precisa evoluir em diversidade, mas já vê avanços nas salas de roteiro.

“A gente precisa criar personagens diversos desde o início e fazer testes às cegas, onde o melhor ator ou atriz seja escolhido, independente da cor da pele, sexualidade ou qualquer outra coisa.”

“Na literatura, isso anda mais rápido. No audiovisual, ainda está em construção. Mas eu gosto muito de poder mostrar para os jovens que essas carreiras existem. Que escrever, roteirizar, estar nos bastidores também é uma opção. Eu não tinha isso para olhar quando comecei.”

“Não é fama, é uma vida pública pelo que eu produzo”

Ray se sente confortável com o reconhecimento do público, mas mantém a rotina simples.

“Eu sou a mesma Ray que faz faxina, que vai à academia… Claro que tem momentos especiais, como Bienal – que é o Rock in Rio do autor. Mas eu consigo manter minha vida tranquila. As pessoas me conhecem pelo que eu escrevo, e eu gosto disso.”

O que vem por aí?

Ray já está escrevendo seu próximo livro, e promete seguir no universo de “O Roteiro do Amor”.

“Estou escrevendo freneticamente. A história se passa nos bastidores de uma série. Estou animada.”

“Sobre Os 12 Signos de Valentina: os direitos foram vendidos, e existe a intenção de adaptar, mas essas coisas demoram. Só posso contar quando a produtora liberar.”

Inspirando novos começos com histórias reais

Com personagens cativantes e histórias cheias de emoção, Ray Tavares conecta públicos de todas as idades. Do Wattpad aos estúdios de roteiro, sua trajetória mostra que dá, sim, para transformar escrita em carreira. E mais do que isso: dá para transformar sonhos em profissão.

Ray Tavares transforma fanfics em literatura, livros em roteiros, e palavras em pontes com o leitor, suas histórias celebram os sentimentos universais, com humor, coragem e o tipo de verdade que atravessa gerações.


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