O autor da Terry Pratchett aparece sorrindo, usando chapéu preto, óculos e barba branca, posando em uma biblioteca com estantes cheias de livros ao fundo. Ao lado dele está a capa do livro “Os Pequenos Homens Livres”, ilustrada com elementos de fantasia como cogumelos, criaturas pequenas e uma jovem segurando uma lupa.
Foto: Terry Pratchett | Reprodução: Página oficial do Discworld

42 anos de Discworld: saga retorna ao Brasil com Tiffany Aching

Nesta segunda-feira (24), completam-se 42 anos do lançamento de Discworld, a saga de fantasia do autor Terry Pratchett, que faleceu em 2015 devido ao Alzheimer. Mesmo com a doença, o escritor não parou de trabalhar em sua extensa saga de mais de 40 livros, mostrando sua determinação em não se render ao diagnóstico e conquistando uma legião de fãs.

A Galera Record animou os fãs brasileiros do Discworld ao anunciar o retorno da tão amada saga ao Brasil, com o livro “Os Pequenos Homens Livres”. A obra conta a história da pequena Tiffany, uma bruxinha inteligente que parte em uma aventura para resgatar o irmão sequestrado por uma rainha fada malvada.

O Literalle entrevistou Ludmila Hashimoto, tradutora do livro da Tiffany e de outras aventuras do Discworld, e ela falou sobre os desafios de traduzir a saga para que os fãs brasileiros se conectassem com a leitura e compreendessem o humor e as referências do autor. “Todo tipo de fidelidade do multiverso tem em comum alguma flexibilidade e negociação. Na tradução, uma fidelidade perfeita deixaria de ser o que é: uma travessia entre línguas tão peculiares. E perderia a beleza do intercâmbio cultural. O requisito para o equilíbrio é conhecer intimamente a estrutura e as referências de cada lado do processo; no caso da obra de Pratchett, tanto do inglês britânico como do português brasileiro. Daí é possível uma negociação clara, especialmente no caso do humor e da ironia, com atenção ao ritmo do texto e, no caso dos trocadilhos, imaginação e sensibilidade literária para não deturpar o tom”, declara a tradutora.

Retorno de Discworld com Tiffany Aching

Ludmila destaca a importância de retornar com a saga ao Brasil trazendo uma personagem tão jovem e determinada quanto a pequena bruxinha, como forma de apresentar novos leitores ao mundo criado por Pratchett.

“Não poderia haver personagem melhor para essa tarefa. A Tiffany vai cativar novos leitores por ser uma menina prática, confiante e ousada em suas ações e decisões. O retorno do Disco, essa Terra plana em forma de crítica picante e imaginativa, é motivo de comemoração para quem já é fã da série e mais ainda para os futuros leitores que nem desconfiam quanta riqueza literária está chegando ao seu alcance”, relatou.

A tradutora também refletiu sobre a responsabilidade de traduzir os textos de Terry Pratchett e sobre o amor dos fãs pela saga. “Eu comecei a traduzir Pirâmides quando estava grávida da minha filha, que hoje está com 20 anos, e me lembro de como fiquei feliz e honrada com a oportunidade. A aproximação dos fãs do Pratchett também sempre foi uma experiência muito agradável, que eu li como um sinal positivo de dedicação à literatura e, portanto, reflexo do fortalecimento do mercado literário no Brasil”, acrescentou.

“As séries precisam ser levadas a sério. Esse é o recado que eu trago do povo de Ankh-Morpork”, comentou Ludmila.

Fãs que cultivam o amor pelo Discworld

As redes sociais servem como ponte entre leitores do mundo todo para compartilhar experiências. Através das bookredes, fãs brasileiros do Discworld mantêm a paixão pela saga viva, mesmo com a longa espera pelo retorno dos livros. É o caso de Maria Alice, criadora da página “Xícara Quente” e fã de carteirinha da saga, e de Marcos, dono do perfil “Toca do Aventureiro”, também apaixonado pela série.

Para Maria Alice, o Discworld entrou em sua vida por meio de uma propaganda em uma revista cuja capa era do livro Estranhas Irmãs, anunciando que fãs de fantasia iriam amar — e foi exatamente o que aconteceu. Ela ficou cativada pelos personagens, pelo humor ácido e pela construção de mundo de Pratchett.

Alice comentou sobre as expectativas para o retorno da saga com a jovem bruxinha. “A Tiffany é muito dona de si, e acho que isso tem um apelo muito especial. Em geral, gostamos de personagens que enfrentam seus medos de frente, ainda mais na fantasia. Acompanhar a Tiffany é uma ótima porta de entrada para Discworld, pois ela está conhecendo mais do mundo e dos seus poderes, e assim o leitor vai aprendendo junto com ela. Acredito que isso possa tornar a série mais convidativa”, relatou.

A criadora de conteúdo literário também refletiu sobre como a saga surgiu em um momento difícil de sua vida e a inspirou por meio de cada personagem, destacando ainda a importância da comunidade de fãs que manteve acesa a chama de Discworld no Brasil.

“A comunidade é importantíssima, e acredito que foi o engajamento dela, mesmo em tempos em que as mídias sociais não eram superfortes, que fez com que a editora ainda tivesse interesse em publicar Terry aqui. Hoje, por exemplo, é muito mais fácil encontrar fãs de Discworld online, e essa presença pode ajudar para que os livros cheguem a mais leitores. Se dependesse só da gente, todos os livros da série estariam traduzidos e publicados, facilitando o acesso”, declarou.

Para Marcos, o contato com Discworld aconteceu de outra forma: primeiro veio a paixão pela arte das capas e por jogos de animação baseados na série. Inicialmente, ele nem sabia do que se tratava, até visitar uma banca, encontrar os livros e decidir comprar.

“O que mais me encanta no Terry é a forma como ele escreve, o humor que, apesar de ácido, é muito humano. É uma ‘dramédia’, pois, apesar de você rir muito, tem momentos em que o coração dói”, relatou Marcos.

O leitor também demonstrou entusiasmo pelo retorno de “Os Pequenos Homens Livres” pela Galera Record, reforçando como a comunidade de fãs não desiste de ver Discworld ganhar mais reconhecimento no Brasil. “O amor dos fãs é realmente o que move. O boca a boca é o mais importante. Espero que dê muito certo com o selo novo, e espero também que continuem convidando a Ludmila para traduzir”, afirmou.

Terry deixou um legado que atravessou décadas e conquistou leitores de diversas gerações. Em sua literatura, ele mostra que a magia está nas pequenas coisas, em — como descreve tão sensivelmente — “não tratar as pessoas como coisas”, e em perceber que “em algum lugar, todas as histórias são reais, todas as canções são verdadeiras”.

O autor da Terry Pratchett aparece sorrindo, usando chapéu preto, óculos e barba branca, posando em uma biblioteca com estantes cheias de livros ao fundo. Ao lado dele está a capa do livro “Os Pequenos Homens Livres”, ilustrada com elementos de fantasia como cogumelos, criaturas pequenas e uma jovem segurando uma lupa.
Show 75 Comments

75 Comments

Comente aqui!